ūüĆīDia do √ćndioūüćÉ Por hoje e sempre. Respeito, honra e gratid√£

Desde crian√ßas estudamos nas escolas sobre os √≠ndios, aprendemos qu√£o dif√≠ceis s√£o suas vidas, ouvimos e lemos suas hist√≥rias, de massacres, esfor√ßos para sobreviv√™ncia, sobre defenderem suas terras. Assistimos filmes que falam deles e sabemos que s√£o parte de um grupo segregado e que luta contra o preconceito, pela falta de recursos, pelo respeito de direito e por manter suas tradi√ß√Ķes vivas. E com tanta tenta√ß√£o do "mundo branco" certamente essa n√£o √© uma miss√£o f√°cil.

Vidas simples e tão ricas ao mesmo tempo. Tudo tem um sabor diferente, a água de pote, o café não coado, o aipim / macaxeira, a carne assada na fogueira. Lugares incríveis, sagrados como o Pilão, onde a presença dos ancestrais à beira do Rio São Francisco é latente.

Tor√©s, vozes fortes que ecoam em nossos cora√ß√Ķes, a batida do p√©s no ch√£o levantando poeira literalmente e com uma magia inebriante. A fala quase n√£o existe, quando acontece √© t√£o forte quanto t√≠mida. Nomes que n√£o conseguimos lembrar, nomes 'de branco' e nomes nativos, cada um mais maravilhoso que outro, com significados tantos.

Pessoas que enfrentam (e enfrentaram por nós) a noite escura. São fortes a ponto de passá-la em claro velando nosso sono, um cuidado que jamais esqueceremos. Dormir sobre redes, com a luz de um lampião dentro da "oca" e sob a luz da lua majestosa lá fora nos banhando e nos mirando, ela também velou nosso sono.

Em volta da fogueira, comer com as mãos, juntos com a tribo, honrando o tabaco sagrado daquela terra. Um povo que quando estão juntos parecem uma fortaleza com seus cantos e danças, força na voz e nos pés que rezam pela chuva para encher os rios, irrigar plantas e trazer de volta o alimento de todos os seres. Rezam para que o sol seja mais brando e por nós também. Conhecedores da terra, sábios natos e ao mesmo tempo sabem da fragilidade e impermanência das coisas. Amor e luta, respeito e resgate, honra ancestral .

Deixamos parte de n√≥s l√° na tribo, trouxemos no cora√ß√£o e na mem√≥ria parte deles conosco. Agora fazemos parte, somos uma fam√≠lia, somos um pouco Kariri-Xoc√≥s, somos ind√≠genas tamb√©m, somos parentes, agora somos √ļnicos, somos Buriti-Araciara-Diarum-Nita√©-Upiara-Vivar√©-Yakoama-Iradz√ļ. E dessa forma, as dores e alegrias deles s√£o nossas tamb√©m.

Hoje o dia √© deles (e um pouco nosso tamb√©m), afinal todo dia √© Dia de √ćndio.

Aha M√£e Terra, Aho Grande Esp√≠rito. Inateki√™ ! por Dea Reis - Buriti [ nome nativo recebido em rito e que significa √Ārvore da Vida ]

‚ě≥ Texto escrito e embasado de muito respeito e rever√™ncia ao nosso Cacique Iradzu Kariri, representando sua tribo e quem tivemos a felicidade de conviver por 8 meses e a experi√™ncia da terra, que √© tamb√©m relatada com base nos 4 dias (que pareceram 4 anos) que eu e mais 5 mulheres 'da Cidade' vivenciamos na Aldeia Ind√≠gena em Fevereiro/2017, inesquec√≠vel, algo que n√£o se mede em palavras e para sempre permanecer√° em nossas mem√≥rias, hist√≥rias e cora√ß√Ķes para toda eternidade !


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